Friday, July 10, 2009

Depressão

Vales e montanhas
Colinas e aranhas
Pestes do submundo
São essenciais
Para alcançar o fim, o fundo
O escuro nos cega
O silêncio grita
O mundo nos imita
Mergulhemos no obsoleto
E junto irão todos os sonhos
Todas as realidades
Toda arte

Friday, June 19, 2009

Primeiro Contato?

Eu vivi uma ramificação planar. Conscientemente deixei o meu corpo e mergulhei num oceano de nada. Não havia nada para se ver, nada para se tocar, nada para ouvir. Era uma vastidão preta infinita onde a única variável relevante eram meus pensamentos e a minha intenção. Interessante é que eu sentia que me movia pelo nada, era apenas uma intuição pois todos meus sentidos estavam desligados. Eu sabia que estava voando pelo oceano de nada, sendo apenas uma idéia, livre da jaula de carne e osso.

Voando pelo nada eu decidi procurar pelo seu limite. Não precisei de muito tempo para achar uma pequena luz piscante bem próxima. Foi a primeira vez que algum sentido meu funcionou nesse plano. Eu segui a luz, estava curioso para saber mais. Quanto mais perto eu chegava mais devagar a luz demorava pra piscar e maior ela ficava. Até que cheguei tão perto que podia tocá-la. E foi exatamente isso que fiz. Mas não foi apenas um toque, foi uma imersão. Eu era apenas um conglomerado homogêneo de conceitos. E mergulhei na aparente esfera luminosa.

Imediatamente todas as perspectivas e referências mudaram, meus sentidos começaram a acordar e eu me vi literalmente emergindo em outro plano físico, diferente daquele de onde comecei. Enquanto emergia do chão e olhava para cima, vi que estavam à minha volta como se estivesse me esperando em torno de 8 seres acinzentados com grandes olhos negros. Assim que percebi esses seres a minha razão desapareceu. Um medo irracional e primitivo tomou conta de mim. Instintivamente eu senti que aquelas criaturas eram hostis e estavam prestes a me capturar para praticarem seus experimentos sádicos.

Parei de emergir àquele plano físico misterioso e voltei para o plano do nada. Voava pelo plano do nada (que eu aqui começarei a chamar de plano telepático tendo em vista que a única coisa existente no plano eram conceitos e idéias) incrívelmente mais rápido do que antes. Eu não era mais um explorador agora, eu era um fugitivo. E eu senti que algumas das criaturas me perseguiam no plano telepático. Eu sentia a sua presença. Mergulhei de volta no plano físico em que comecei, voltei ao meu corpo, que estava tremendo de medo. Demorei alguns segundos pra organizar toda a experiência na minha mente e enquanto isso acontecia eu comecei a ver as tais criaturas se materializando aqui. Elas pareciam tomar forma nas paredes e meu medo parecia alimentar a sua insistente perseguição. Quanto mais medo eu tinha mais real e física as formas ficavam.

Tive que me concentrar para extinguir o medo e só assim fui capaz de me defender das criaturas.
Deixando o que quer que acontecesse acontecer, consegui o que eu mais queria, segurança.

Monday, April 6, 2009

Conversations with them.

They say I think too much.
But they don't realize they are only making me think more.
I tell them they don't think enough.
But they pretend they are deaf and just ignore.

I share my lack of interest.
I explain the way I feel.
I try to reason my incompatibility.
Hoping that once again a connection will be made.

All in vein.

What I receive as feedback are mere self-contradictory judgments about how I am judgmental.
I can't say that people are like this or like that. But the people who feel offended by what I say have the right to say that I am like this or like that?

Why so many unnecessary shields against imminent changes?

Wednesday, March 25, 2009

Desentendimentos e esclarecimentos.

É engraçado como as coisas são. Engraçado pra quando estamos de bom humor, revoltante pra quando estamos de mau humor.

A revolta geralmente tende a acontecer pela ignorância. Mas é uma ignorância parcial. Um olho fechado e outro aberto. Ter os olhos abertos significa saber o que é importante. Ter os dois olhos abertos é uma alusão a saber a importância da totalidade, ou a totalidade do importante. Ter apenas um dos olhos abertos é reconhecer a importância de apenas metade das coisas que deveriam ser reconhecidas como importantes.

Voltando à graça das coisas, é dito que THC inibe a memória imediata. É de fato científicamente comprovado que o cérebro funciona diferentemente sob efeito da maconha, mas acredito eu que os termos normalmente usados para descrever o estado alterado de consciência produzido pelos canabinóides são confusos e inadequados. Perder a memória é um termo muito abrangente e generalizante e ao meu ver deveria apenas ser usado para casos extremos, como por exemplo para descrever o que alguém que sofre de Alzheimer experiencia. Ou então o que muitos experienciam através do uso exagerado de álcool.

O que acontece com os usuários de maconha é completamente diferente. Eles se esquecem de coisas? Sim. Porém esquecem-se apenas do que não é importante. E isso acontece apenas com quem precisa lembrar do que é realmente importante. Quem não precisa ser relembrado do que é importante não esquece de absolutamente nada.

A planta força a abertura dos olhos. E pra quem tende a andar de olhos fechados a primeira análise sobre o novo estado é de que há algo errado, as coisas não são como eram antes e isso assusta quem não está acostumado a experimentar mudanças.

Freqüentemente usuários de maconha são tachados como "lentos". Mas o que realmente se passa? A pessoa sob efeito da cannabis está apenas muito concetrada no que é importante. Quando outra pessoa intervém ou a julga como sendo "lenta" está de certa forma obrigando-a a prestar atenção no que não é importante. O próprio julgamente é prova de que a pessoa que o faz está prestando atenção no que não é importante (e daí que o outro está "lento"?). Já reparou como monges são também "lentos"? Porém quando estamos tratando de monges usamos as palavras "zen", "calma", "tranqüilidade". Por que os mesmos termos não podem ser usados para os usuários de maconha?

Então, quando cientistas dizem que a memória é perdida quando se está sob efeito da maconha, que memória exatamente está sendo perdida? O que estamos esquecendo? Estamos esquecendo de que precisamos trabalhar e ganhar dinheiro? De que precisamos sustentar o sistema? Estamos esquecendo de que não somos livres? De que somos escravos dos grandes poderes que fazem o mundo ser o que é? Estamos esquecendo do quão miserável somos? Estamos esquecendo de que não somos donos das nossas próprias vidas? Sim, estamos esquecendo disso tudo. Isso tudo que nunca deveria ter sido aprendido, que nunca deveria ter sido tomado como verdade.

Pra acabar com todo esse desentendimento sobre a maconha por que não começamos a nos referir a ela como algo que nos relembra em vez de algo que nos faz esquecer? Ela nos relembra do que é realmente importante. E o que é importante? O importante é que estamos aqui.

Thursday, January 1, 2009

Ano novo.

Sinto-me horrível, péssimo, como acho que nunca me senti antes.
Tenho milhões de sensações desagradáveis no meu corpo que não sei como fazer ir embora.
Porém foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.
Nada poderia ter sido melhor do que perceber que sofro tão terrívelmente.
Só assim para que eu possa cuidar de mim mesmo e deixar finalmente de sofrer.
Não será tarefa rápida, fácil, nem simples.
Mas é o que quero, e quando se quer não existe fácil nem difícil, apenas existe.

Sei muito.
Mas não sei falar sobre o que sei.
Então ainda tenho muito a saber antes de sair falando.
Mas falo porque acredito que o falar ajuda a construir.
Não falo para ninguém a não ser para mim mesmo, que "egocêntricamente" acredito no meu próprio potencial.
Se existem outros eus por aí que também acreditam no próprio potencial, que isto lhes sirva, pois de muito me serviu.

Tuesday, December 23, 2008

Vontades.

Apenas quero esquecê-las, quero me livrar.
A pressão que eu ponho em mim mesmo para concretizá-las é ridiculamente sufocante.

O sofrimento da não-concretização dessas vontades parece ser absurdamente maior do que a realização das mesmas.

Essas vontades, que formam uma corrente interminável de insuficiência, sempre estarão suscetíveis à não-concretização. Sempre existirão aquelas vontades que trarão um sentimento agoniante muito mais forte e intenso do que o sentimento de realização de outras vontades.

A extinção do conjunto total de vontades, as concretizadas e as não-concretizadas, onde o sofrimento prevalece pela existência das não-concretizadas, é a melhor solução que consigo encontrar.

O problema está em como concretizar a última vontade. A de não ter mais vontades.
Existe um método não-despessoalizador?

Ps: É esquisito como eu quero muito continuar a ser eu mesmo. Nem sequer sei quem sou, mas sinto-me preso a essa idéia de individualidade que supostamente me transforma em um ser único. Sou contraditório quando digo que quero não ter vontades mas que quero um método não despessoalizador. Básicamente estou dizendo que quero mudar mas não quero. Medo ou hipocrisia?

Monday, December 8, 2008

Sorriso rasgado.

Foi intenso
Violento
Porém básicamente agradável e necessário
Foi como arrombar as portas do mais belo jardim
que havia sido assíduamente e repetidamente selado
Lacrado a ponto de formar uma espessa camada
do que parecia ser apenas parte da montanha
Da montanha
Da serra
Do planalto
Da superfície
Nulo, neutro, opaco

E o jardim engoliu a montanha
Não existia mais jardim, tão pouco montanha
Existia apenas um
Um de infinitas multiplicidades
Constante, eterno
Observador

Sorriso rasgado
Entretenimento forçado
Respeitado e muito apreciado