Tuesday, December 15, 2009

Introducao a India

Sem acentos. Direto porem sutilmente suave. O pensar se tornou um grande problema, ou melhor o pensar se tornou uma grande questao para se pensar sobre. Problemas sao apenas desafios. Inegavelmente o excesso de pensar torna-se contra-produtivo, principalmente quando se esta viajando sem nenhuma base onde decisoes que certamente irao mudar a sua vida precisam ser feitas diariamente. O pensar entao torna-se uma ferremanta especializada, apenas para momentos cruciais de perigo eminente. O momento eh a unica coisa significante. Mas quao grande eh esse momento? Um meio-plano e suficiente, e preciso ir com o fluxo ou entao fica-se preso em si mesmo, depravado de experimentar o aleatorio. O momento auto cria-se se assim voce o permite. Porem e tambem interessante pedir permissao ao momento para molda-lo, expressar-se e essencial.

Thursday, September 24, 2009

Corram! Corram!

Todos dizem, pedem, suplicam, comandam.
Corram, corram, é preciso correr! Você não vê como estou correndo?
E não hão de cessar, não hão de te deixar em paz.
Estão mais interessados em ter companhia do que correr, mas só sabem falar sobre correr, porque é sobre correr que todos falaram quando cresceram.

Saturday, July 25, 2009

Amostras do Eterno Invisível Absoluto.

Lá se foi a última maciça gota verde do meu fabuloso e companheiro estoque de bolso.
Enganado por pouco, pois as diversões favoritas do Eterno Invisível Absoluto são pique-esconde, jogo da memória (não-convencional) e teatro (que seja entendido como o ato de criar um espetáculo), achei que estava perdido por não perceber que a divisão entre trabalho e diversão é apenas ilusória; mais uma parte do show de mágica, de ilusão. A aplicação de um limite não-existente para que as limitações aparentem ser mais reais. E com a idéia de limitações intrínsicas e indesviáveis surge a auto-castração, o pessimismo.

Como é possível estar perdido se não estou fugindo e sim procurando? Se procuro é porque o conhecido não me satisfaz. O desconhecido então se faz necessário. A "perdição" é a única solução.
Não é conveniente admitir estar perdido quando esta aparente desnorteação é apenas uma opção, uma escolha, o mais puro do voluntariarismo. A qualquer momento posso pedir "bússulas" emprestadas. No entanto essas bússulas parecem ser um tanto quanto ineficientes. Todos tem bússulas que adoram exibir e usar como escudo, porém todos não param de correr; parecem nunca chegar aonde querem chegar. Me pergunto se também estão a procura de algo fora ou se apenas fogem. (Tenha em mente que a procura pela segurança é apenas uma máscara construída pelo orgulho pra que a fuga e o medo sejam camuflados).

Apesar da momentânea solenidade em relação à dissipação da gota verde, rápidamente percebi que a essência da gota foi mantida pela imensa e prolongada pasta azulada.
Percebi muito mais. Percebi que a essência é sempre mantida. Esta é definição de essência: imutável. Se um dia acharmos que a essência se perdeu provávelmente estaremos confuso sobre a natureza da essência, certamente as bolas estarão sendo trocadas. As cores e as consistências estão sempre trabalhando em parceria pela graça do imutável. São as pequenas amostras e diversificações da unidade que estimuladas pelo cooperativismo sensitivo expõe a grandiosidade inconcebível do Eterno Invisível Absoluto.

Monday, July 20, 2009

Instintos

Meus instintos fazem-me tremer na base
Minha paz e minha tranqüilidade
São perigosamente ameaçados
Meu foco é desvirtuado
Pensamentos são seguidos por emoções
Que inevitávelmente me distraem

Sou sugado ao sofrimento da cegueira
Esta cegueira que me faz tropeçar
Em tantas abelhas-operárias
Que se interrompidas
Sacrificam-se pela vingança

Friday, July 10, 2009

Depressão

Vales e montanhas
Colinas e aranhas
Pestes do submundo
São essenciais
Para alcançar o fim, o fundo
O escuro nos cega
O silêncio grita
O mundo nos imita
Mergulhemos no obsoleto
E junto irão todos os sonhos
Todas as realidades
Toda arte

Friday, June 19, 2009

Primeiro Contato?

Eu vivi uma ramificação planar. Conscientemente deixei o meu corpo e mergulhei num oceano de nada. Não havia nada para se ver, nada para se tocar, nada para ouvir. Era uma vastidão preta infinita onde a única variável relevante eram meus pensamentos e a minha intenção. Interessante é que eu sentia que me movia pelo nada, era apenas uma intuição pois todos meus sentidos estavam desligados. Eu sabia que estava voando pelo oceano de nada, sendo apenas uma idéia, livre da jaula de carne e osso.

Voando pelo nada eu decidi procurar pelo seu limite. Não precisei de muito tempo para achar uma pequena luz piscante bem próxima. Foi a primeira vez que algum sentido meu funcionou nesse plano. Eu segui a luz, estava curioso para saber mais. Quanto mais perto eu chegava mais devagar a luz demorava pra piscar e maior ela ficava. Até que cheguei tão perto que podia tocá-la. E foi exatamente isso que fiz. Mas não foi apenas um toque, foi uma imersão. Eu era apenas um conglomerado homogêneo de conceitos. E mergulhei na aparente esfera luminosa.

Imediatamente todas as perspectivas e referências mudaram, meus sentidos começaram a acordar e eu me vi literalmente emergindo em outro plano físico, diferente daquele de onde comecei. Enquanto emergia do chão e olhava para cima, vi que estavam à minha volta como se estivesse me esperando em torno de 8 seres acinzentados com grandes olhos negros. Assim que percebi esses seres a minha razão desapareceu. Um medo irracional e primitivo tomou conta de mim. Instintivamente eu senti que aquelas criaturas eram hostis e estavam prestes a me capturar para praticarem seus experimentos sádicos.

Parei de emergir àquele plano físico misterioso e voltei para o plano do nada. Voava pelo plano do nada (que eu aqui começarei a chamar de plano telepático tendo em vista que a única coisa existente no plano eram conceitos e idéias) incrívelmente mais rápido do que antes. Eu não era mais um explorador agora, eu era um fugitivo. E eu senti que algumas das criaturas me perseguiam no plano telepático. Eu sentia a sua presença. Mergulhei de volta no plano físico em que comecei, voltei ao meu corpo, que estava tremendo de medo. Demorei alguns segundos pra organizar toda a experiência na minha mente e enquanto isso acontecia eu comecei a ver as tais criaturas se materializando aqui. Elas pareciam tomar forma nas paredes e meu medo parecia alimentar a sua insistente perseguição. Quanto mais medo eu tinha mais real e física as formas ficavam.

Tive que me concentrar para extinguir o medo e só assim fui capaz de me defender das criaturas.
Deixando o que quer que acontecesse acontecer, consegui o que eu mais queria, segurança.

Monday, April 6, 2009

Conversations with them.

They say I think too much.
But they don't realize they are only making me think more.
I tell them they don't think enough.
But they pretend they are deaf and just ignore.

I share my lack of interest.
I explain the way I feel.
I try to reason my incompatibility.
Hoping that once again a connection will be made.

All in vein.

What I receive as feedback are mere self-contradictory judgments about how I am judgmental.
I can't say that people are like this or like that. But the people who feel offended by what I say have the right to say that I am like this or like that?

Why so many unnecessary shields against imminent changes?

Wednesday, March 25, 2009

Desentendimentos e esclarecimentos.

É engraçado como as coisas são. Engraçado pra quando estamos de bom humor, revoltante pra quando estamos de mau humor.

A revolta geralmente tende a acontecer pela ignorância. Mas é uma ignorância parcial. Um olho fechado e outro aberto. Ter os olhos abertos significa saber o que é importante. Ter os dois olhos abertos é uma alusão a saber a importância da totalidade, ou a totalidade do importante. Ter apenas um dos olhos abertos é reconhecer a importância de apenas metade das coisas que deveriam ser reconhecidas como importantes.

Voltando à graça das coisas, é dito que THC inibe a memória imediata. É de fato científicamente comprovado que o cérebro funciona diferentemente sob efeito da maconha, mas acredito eu que os termos normalmente usados para descrever o estado alterado de consciência produzido pelos canabinóides são confusos e inadequados. Perder a memória é um termo muito abrangente e generalizante e ao meu ver deveria apenas ser usado para casos extremos, como por exemplo para descrever o que alguém que sofre de Alzheimer experiencia. Ou então o que muitos experienciam através do uso exagerado de álcool.

O que acontece com os usuários de maconha é completamente diferente. Eles se esquecem de coisas? Sim. Porém esquecem-se apenas do que não é importante. E isso acontece apenas com quem precisa lembrar do que é realmente importante. Quem não precisa ser relembrado do que é importante não esquece de absolutamente nada.

A planta força a abertura dos olhos. E pra quem tende a andar de olhos fechados a primeira análise sobre o novo estado é de que há algo errado, as coisas não são como eram antes e isso assusta quem não está acostumado a experimentar mudanças.

Freqüentemente usuários de maconha são tachados como "lentos". Mas o que realmente se passa? A pessoa sob efeito da cannabis está apenas muito concetrada no que é importante. Quando outra pessoa intervém ou a julga como sendo "lenta" está de certa forma obrigando-a a prestar atenção no que não é importante. O próprio julgamente é prova de que a pessoa que o faz está prestando atenção no que não é importante (e daí que o outro está "lento"?). Já reparou como monges são também "lentos"? Porém quando estamos tratando de monges usamos as palavras "zen", "calma", "tranqüilidade". Por que os mesmos termos não podem ser usados para os usuários de maconha?

Então, quando cientistas dizem que a memória é perdida quando se está sob efeito da maconha, que memória exatamente está sendo perdida? O que estamos esquecendo? Estamos esquecendo de que precisamos trabalhar e ganhar dinheiro? De que precisamos sustentar o sistema? Estamos esquecendo de que não somos livres? De que somos escravos dos grandes poderes que fazem o mundo ser o que é? Estamos esquecendo do quão miserável somos? Estamos esquecendo de que não somos donos das nossas próprias vidas? Sim, estamos esquecendo disso tudo. Isso tudo que nunca deveria ter sido aprendido, que nunca deveria ter sido tomado como verdade.

Pra acabar com todo esse desentendimento sobre a maconha por que não começamos a nos referir a ela como algo que nos relembra em vez de algo que nos faz esquecer? Ela nos relembra do que é realmente importante. E o que é importante? O importante é que estamos aqui.

Thursday, January 1, 2009

Ano novo.

Sinto-me horrível, péssimo, como acho que nunca me senti antes.
Tenho milhões de sensações desagradáveis no meu corpo que não sei como fazer ir embora.
Porém foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.
Nada poderia ter sido melhor do que perceber que sofro tão terrívelmente.
Só assim para que eu possa cuidar de mim mesmo e deixar finalmente de sofrer.
Não será tarefa rápida, fácil, nem simples.
Mas é o que quero, e quando se quer não existe fácil nem difícil, apenas existe.

Sei muito.
Mas não sei falar sobre o que sei.
Então ainda tenho muito a saber antes de sair falando.
Mas falo porque acredito que o falar ajuda a construir.
Não falo para ninguém a não ser para mim mesmo, que "egocêntricamente" acredito no meu próprio potencial.
Se existem outros eus por aí que também acreditam no próprio potencial, que isto lhes sirva, pois de muito me serviu.